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Artes e História: Arte Romana - República

.:Pra melhor compreender esse projeto leia: Artes e História - Introdução:.

Temas deste tópico: 
  • Precedentes
  • Roma Republicana
  • Quatro Estilos da Pintura Pompeiana
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PRECEDENTES 
Arte Etrusca e Itálica

Início da Arte Romana: colocado em torno de 210 a.C, quando os romanos entram em contato direto com a arte grega pela primeira vez (II Guerra Púnica).

Inicialmente Roma era um vilarejo rural com pouca preocupação com produção artística, geralmente ela era importada. A partir de 210 a.C. começa a expansão territorial até 146a.C. quando dominam Saracusa e colocam 'fim' a arte grega. 

Mapa da Civilização Etrusca

Os Etruscos dominavam toda península itálica. 

Detalhe de afresco da Tomba dos Augúrios, Tarquinia (viterbo), 530 a.C

- Gosto por movimento e muita decoração. 
Muito semelhante a arte minoica, micênica e cretense. Também se relacionam com a arte egípcia ao decorarem muito suas câmaras fúnebres.

No afresco, representam uma cena de jogos em memória de um morto. 
O vaso ao centro deixa claro o aspecto ritualístico da cena. 

Hermes, Roma, Museo Nazionale Etrusco di Villa Giulia, 510 a.C. (originário de Veio)

- Essa imagem era usada para decorar um templo. 
Os olhos amendoados, sorriso e cabelos esquemáticos nos mostra a proximidade com as obras da Grécia Arcaica. 
Usavam muito barro em construções e obras em forma de tijolos e terracota pois era abundante na região. 

Apolo de Veio, Roma, Museo Nazionale Etrusco di Villa Giulia, 510 a.C.

- Possui pose de Kouros, porém foi feito com muito mais dinamismo, desaparecendo com a rigidez arcaica que se manteve nos olhos e cabelos.
O Tecido foi pensado como estampa com um padrão que se repete.
Foi feito de material frágil de forma que precisa do suporte de uma coluna, amplamente decorada.
Milagrosamente grande parte da cor dele foi preservada na pele, no tecido e em alguns detalhes que nos mostram que o realismo da obra ficava mais por conta da cor do que das formas.


Sarcófago dos Casados, Roma, Museo Nazionale Etrusco di Villa Giulia, 520 a.C.

- Geralmente eram feitos em pedra ou em terra cota.
Pose única muito característica da arte etrusca.
Ela mostra como eles queriam se diferenciar ao buscarem se individualizar em seus retratos, que eram muito valorizados. Apesar de muitos traços arcaicos podemos ver essa tentativa ao representarem uma cena íntima tornando a obra específica daquele casal, apesar de ainda assim os possuírem muitos traços padrões menos específicos.

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ROMA REPUBLICANA

Cronologia:

Fundação de Roma: 754 a. C. 
República: 509 a.C
Império: 31 a.C. (Vitória de Otaviano sobre Marco Antonio)/ 14 a.C (título de Princeps)
Queda do último imperador: 476 d.C.

Loba capitolina, Roma, Museu Capitolino, 480-470 a.C.

- Loba etrusca, importada. Rômulo e Remo são adicionadas a ela depois. 
Ela foi feita com tentativas de detalhamento ao lado de partes esquemáticas, por exemplo a juba.

Brutus Capitolino, Roma, Museo Capitolino, c. 300-275 a.C.

- A figura é bem realista e possui traços que ressaltam a personalidade do indivíduo (característica Helenística).
Possui o rosto muito marcado, boca apertada de forma tensa, cabelos esquemáticos e ordenados.

Durante a República foi comum a produção de retratos de homens importantes para ela. 
Essa imagem foi atribuída a Brutus por ele ter se tornado um símbolo ao matar Cesar, também por sua expressão severa. 


Sua postura nos mostra que naquela época a sociedade não era voltada para o luxo e conforto mas sim para a austeridade, rigidez e seriedade, que eram os valores da republica.

Essas características também era perceptíveis na arquitetura: os edifícios públicos eram simples, diretos, sem luxos.

Cabeça masculina, original de San Giovanni Lipioni,
Paris, Museu do Louvre, III-II séc. a. C.

- A expressão não é dramática, diferentemente das Helenísticas, ela é muito moderada, e sólida. 
Possui seriedade, linhas bem marcadas, alto grau de individualização, mostra uma pessoa bem madura.


Os bustos familiares eram feitos para celebrar os mortos, já os bustos públicos eram feitos para celebrar os grandes funcionários, personalidades que faziam algo grandioso pela república. (Essa prática é adotada até hoje no Brasil.)

Altar de Domício Enobarbo - 1º Detalhe: Helenístico
Cortejo Nupcial de Poseidon e Anfitrite, c. 150 a. C, Munique, Glyptothek

Altar de Domício Enobarbo - 2º Detalhe: Romano
Friso do Censo, II séc. a.C., Paris, Museu do Louvre

Este relevo possui 4 lados, 3 são helenísticos e o 4º é romano.
Eles mostram que não estavam interessados em construir uma unidade formal, estavam interessados em toda cultura grega. 


No 1º detalhe helenístico o tema é mitológico e fantasioso. Sua técnica é mais fluida, possui muito movimento, muitas linhas curvas, tecidos transparentes e leveza. 


No 2º detalhe romano o tema é sobre atividades cotidianas como burocracias de escritório, sacrifícios religiosos. Sua técnica foi mais séria, com linhas retas, imagens sóbrias. 

Os temas são bem diferentes porém não hesitaram ao junta-los sem necessitar fundi-los
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Os 3 pilares da República eram:
- Virtude
- Justiça
- Devoção (piedade religiosa)

Os senadores romanos viam a sociedade grega como vá e supérflua.
Se esforçavam para limitar sua influência pois temiam que o estilo de vida luxuoso ostentativo minasse a sobriedade da república romana.
Baseados nisso fizeram leis que restringiam a utilização de luxos.
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Jardim, Getty Villa, Malibu, Los Angeles (Reconstrução da Vila dos Papiros, Herculano, I séc. a. C.)
Minha casa, só que não. 

- Surgem as vilas nos campos fora de Roma para os endinheirados poderem ter luxos sem que isso fosse um desagrado as rígidas normas da república, pois estavam fora de vista. 
Nessas vilas o estilo de vida grego era bem visível.

Enquanto as casas romanas eram compactas, as vilas difundiram a ideia de espaços para socializar, entreter, agradar. 


Desenvolveram espaços para o ócio, que era visto como, se dedicar a atividades que não contribuem para a sociedade como: aprender um instrumento, ler, comprar obras de arte, estudos eruditos. 
O jardim era um lugar ótimo para isso, feito para caminhar e filosofar. 


((Sobre as imagens: 
Em 1945, J. Paul Getty (um magnata do petróleo) comprou 64 acres em Malibu para abrir o original J. Paul Getty Museum. 
Ele quis abrir sua própria casa para apresentar sua coleção, das quais antiguidades gregas e romanas estariam presentes. 
Em 1968, Getty decide recriar a casa de campo romana de Herculano (soterrada pela erupção do Vesúvio em 79 D.C.), a Villa dei Papiri, nessa mesma propriedade, para exibir sua coleção crescente de arte. 
Como a maioria da Villa dei Papiri ficou soterrada, muitos detalhes arquitetônicos do Getty Villa são baseados em elementos retirados de outras casas romanas antigas. 
Assim, o novo J. Paul Getty Museum abre para o público, tornando-se um dos marcos culturais do Sul da Califórnia. Leia mais aqui.))

Sátiro ébrio, Nápoles, Museo Archeologico, I séc. a.C.

- Esta obra ficava no meio da piscina. Não é uma obra romana, é uma cópia de uma helenística pois queriam imitar o estilo de vida grego então adquiriram cópias refinadas das gregas. 

Era um culto ao Dionísio, deus do vinho, divertimento.


Possui grande expressividade no rosto e corpo. Composição bem elaborada e complexa. 

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QUATRO ESTILOS DA 
PINTURA POMPEIANA

A pintura de Pompeia foi algo mais regional pois eram feitas em paredes intransportáveis. 
Foram muito bem preservadas pela lava assim como toda cidade. 

Afresco de Villa de Ariana, Castellamare di Stabia, Itália
1º Estilo: 146 a.C. - 80 a.C.
- Também referido como cantaria ou incrustação - nome derivado de crustae, placas pétreas de revestimento - é em essência abstrato.
A pintura foi feita com detalhes em gesso, buscaram dar um toque ilusionista.
Tentaram imitar mármore e granitos coloridos com elementos arquitetônicos em gesso.


Afresco, Villa de Boscoreale, 43-30 a. C.
2º Estilo: 43 - 30 a.C. 
- Chamado arquitetônico, aonde criavam arquiteturas e fundos falsos como se fossem paisagens. Faziam sugestões de perspectiva. Gostavam de criar mundos imaginários em suas paredes.
As ilusões se tornam mais eficazes e variadas, com a multiplicação de elementos simulados de arquitetura, como colunatas, arquitraves, balaustradas, molduras, janelas e frisos, e aparecem padrões geométricos mais minuciosos e complicados.
Faziam algumas sala enterradas no chão para que fossem mais frescas e pintavam suas paredes como se estivessem em um jardim.

Villa dos Mistérios, Pompéia, I séc. a.C.

- Afrescos em uma sala de jantar com várias cenas do cotidiano feminino e religiosas. 




Afresco da Casa de Lucretius Fronto, Pompéia, I séc. d.C
3º Estilo: 80 a.C - 54 d.C
- Ou ornamental, representa a continuidade do Segundo numa versão mais livre e ornamentada, mais leve e menos pomposa.
A ideia de cenário e arquitetura imaginário são levados ao extremo e perdem a intenção de enganar a vista com os efeitos de tridimensionalidade, seu caráter ilusório anterior.
Tendência a cópia ou derivação de autores antigos gregos e helenistas, a influência da arte egípcia, e o florescimento do gênero da paisagem.

Afresco da Domus Aurea, Roma, 64-68 d.C.
4º Estilo: 45 d.C
- Casa do Imperador Nero, veja mais sobre ela aqui.
"Bem! Finalmente posso começar a viver como um ser humano."
—Nero, quando entrou pela primeira vez na Domus Aurea.

Estruturas arquitetônicas em perspectiva, representação de seres fantásticos como se fossem reais. Gosto por criaturas grotescas: misturas de animais com plantas.

Eclético, recuperando elementos de estilos anteriores e elaborando sobre eles novas configurações. 
Algumas de suas características genéricas mais evidentes são uma inclinação para composições mais assimétricas, uma tendência para o uso de cores mais quentes e vivas, e um maior requinte, variedade e liberdade nas ornamentações. 
Além destas, as figuras são mais animadas, a técnica da pincelada ficou mais livre, com uso intensivo de tracejado para obter as sombras e os volumes, se aproximando de efeitos pontilhistas, e se populariza a simulação pictorial de tapeçarias através do uso de largas áreas de uma só cor, com bordas e faixas ornamentais. 

Menos disciplinado e mais caprichoso do que os seus antecessores, sendo em seus melhores momentos delicado e deslumbrante, mas em mãos inábeis podia se tornar confuso e sobrecarregado. 

É o estilo do qual temos a maior quantidade de relíquias, e justamente pela abundância de evidências é a fase que podemos melhor estudar.

Leia mais sobre Pintura na Roma Antiga

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